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Entrevista Fantasmão (nova fase)
Simpático e carismático como sempre, o
cantor do Fantasmão, Eddye, 'abriu'
espaço em sua apertada agenda, e
concedeu ao Pagodeaki esta exclusiva
entrevista. Onde fala sobre a nova
formação, os projetos, músicas...
Pagodeaki O CD Pluralidade, é de
certo modo contestador, deixando de
lado aquela antiga fórmula de
swingueira tradicional. Você concorda
com esta afirmação?
Eddye Tem que buscar evolução
musical. Tem que falar sim, tem que
contestar...eu sou assim. Mas o
Fantasmão atual não é só isso não,
falamos de Carnaval, festas... não
dá só prá falar de coisa ruim o tempo
todo, não é?! (risos)
 
Pagodeaki Na faixa 'Ruas do Pelô' nota-
se certa irônia ao perguntar 'será que o meu
povo está sempre sorrindo...?' Isto seria um
apelo?
Eddye Não é irônia, é explicito sim. Não
diria um apelo, mas um modo de desabafar
também... Será que o meu povo está
sempre sorrindo? Eu não vejo isto. O que
vejo é uma grande preocupação sobre as
pessoas estrangeiras, enquanto os daqui
vivem de modo precário gerando
insatisfação pessoal.
 
Pagodeaki Qual música seria a 'carro chefe' deste CD?
Eddye Viola com certeza. Prá colar comigo tem que ser Viola (risos)
Pagodeaki Embora Viola seja então o 'carro
chefe', 'O mal contamina' é bastante 
comentada na região sudeste. Comente
sobre esta faixa:
Eddye O mal contamina é composição
minha, criei assim, viajando (risos). Ela é
bem protestadora, com batida diferenciada,
com pegadas hip-hop (Eddye canta trechos
da música). É uma realidade,se você está
num local cheio de pessoas negativas, com
com maus pensamentos, dependendo da
sua cabeça isto pode te influenciar de
algum modo.
 
Pagodeaki Sabemos que você não curte
fazer músicas de duplo sentido. Poderíamos
dizer então que 'Farinha' seria um duplo
sentido 'ingênuo?'
Eddye Olha tem que analisar direito, com
coerência, pois não vejo duplo sentido
nesta música. Eu já peguei gente em shows
interpretando Farinha como se fosse prá
dar tiro, pra 'cheirar', e não tem nada a ver.
Farinha é uma homenagem á culinária do
nordeste, "mandioca pra fazer farinha, prá
fazer farofa, farofa de dendê..." (Eddye canta
trechos da música). Não tem nada a ver com
duplo sentido, é pura homenagem mesmo.

 
Pagodeaki Eu já ouvi comentários
de que o Fantasmão direciona a sua
música ao público masculino, que
foge um pouco da swingueira...
Você concorda?
Eddye Claro que não. Vamos lançar
DVD em junho,e pensamos nisto
também. Vai ter a música 'Quer
namorar comigo',onde as meninas
terão a oportunidade de dizer se
querem namorar comigo (risos). Mas
isso é machismo viu, quem pensa
deste modo é machista, porque a
mulher tem que se politizar e se
atentar com todos assuntos.
 
Pagodeaki E está 'polêmica' envolvendo
a mudança na formação.O que aconteceu?
Eddye Isto acontece.É dificil,mas acontece.
Eu busco a profissionalização do grupo
sempre. Manter a formação original num
grupo desde o inicio é algo que eu diria ser
ímpossível. O Fantasmão está na quarta
formação.E eu estou muito feliz, porque
certamente esta é a melhor formação do
 
grupo referindo-se ao profissionalismo, a musicalidade... as formações anteriores eram
boas sim, mas esta fase atual acompanha minuciosamente o crescimento e o nosso
momento. Mudanças de formação sempre acontecem.
Pagodeaki E a receptividade do público, como
está sendo?
Eddye As pessoas querem ver o grupo tocando
bem,com sua identidade, com um som bacana,
querem curtir mesmo.E esta nossa nova fase
é assim, bem profissional mesmo e o pessoal
tá curtindo muito. No inicio,eu não vou mentir,
ouve restrições sim, porque claro,o pessoal
conhece os músicos,acompanham, sabe como
é. Mas o pessoal curte muito Fantasmão,e
nosso público sabe que somos fiéis a nossa
ideologia,a nossa música...e estão curtindo
muito.
Pagodeaki O CD Pluralidade foi gravado
com esta antiga formação.Você acha 
necessário uma nova gravação rápido?
Eddye Tem até alguns 'ao vivo' rolando
por aí (risos). O nosso foco agora é a
gravação do DVD, será a 'Confraria dos
Fantasmas',dia 08 de junho,em Salvador,
ali no Comércio,no Trapiche Barnabé.
Será também a apresentação oficial
desta nova formação,e a galera poderá
tirar suas próprias conclusões.
 
Pagodeaki Uma mensagem prá quem
curte o Fantasmão:
Eddye O que é pedra o bicho não
come! Isto é Fantasmão negão (risos).
Kuduru*Clique e ouça a nova música do Fantasmão.
Entrevista Fantasmão

Vejam só a gravação "informal" que os meninos do Fantasmão fizeram para "Selva de Pedra": Selva de Pedra.


Á todos aqueles que ficaram tristes com a inesperada saída de Eddye do "Parangolé",ele veio com este presente: o Fantasmão.

Canções com temáticas que abordam o falso moralismo, inversão de valores e reivindicações já não são mais exclusividades dos grupos de Rap...Ah, quer saber mais? Então veja a entrevista feita com o carismático vocalista,que de tão informal ficou com mais cara de bate-papo:

PAGODEAKI: O FANTASMÃO JÁ É UM GRUPO MUITO RESPEITADO EM SALVADOR,E ESTÁ EM DESTAQUE.CONTE UM POUCO COMO COMEÇOU A HISTÓRIA DO GRUPO:

EDDYE: Na verdade a banda vai fazer 10 meses em 29/05,mas, apesar de ser tão nova, os músicos são experientes. Eu, tenho 11 anos de carreira e entre outros da banda que também tem muito tempo. Então a galera tem este respeito, não só pelo que é o Fantasmão hoje, mas também pela trajetória de cada um dos componentes. Eles tem muito respeito e consideração pelo nosso trabalho.

Parte de integrantes do Fantasmão no aquecimento para se apresentar no Expresso em Sampa.


PAGODEAKI: SUAS MÚSICAS RETRATAM, NÃO SÓ A ALEGRIA,MAS TAMBÉM "LEVANTAM" A BANDEIRA DA LUTA CONTRA O RACISMO, EXCLUSÃO SOCIAL, E RELATAM O DIA A DIA DO GUETO.VOCÊ CONSEGUE MEDIR O IMPACTO DISTO SOBRE AS PESSOAS?

EDDYE: A gente percebe, principalmente na BA que as pessoas são carentes de músicas verdadeiras. Nós usamos o pagode (que no caso em SP é Axé) que é um rítmo tão popular em Salvador, para podermos passar isto ás pessoas. Eu acho que nem tudo é só alegria, tem muita coisa errada e nós temos que falar sim, temos que protestar mesmo...há muitas coisas que somos contra,e temos que ser verdadeiros. As pessoas aderiram ao som do Fantasmão exatamente por isto, porquê são carentes da verdade no Brasil,e, se tem um grupo que fala a verdade elas param para prestar atenção.E isto tem sido muito legal para nós e é a nossa ideologia de trabalho, falar sempre disto protestos, exclusão social, racismo,estas coisas.

PA: ALÉM DOS JOVENS DO GUETO, UMA BOA PARTE DA ELIE SOTEROPOLITANA CURTE O SOM DE VOCÊS.QUE EFEITO ISTO CAUSA EM VOCÊ?

E: Fico feliz, porquê o nosso som está abrangindo outras classes também. Mas, particularmente, eu não esperava, até achava que isto poderia acontecer algum dia, mas não assim tão rapído.É muito bom, eu fico feliz.

PA: RESTRINGIR-SE AO PÚBLICO DO GUETO EM MASSA,ENTÃO NÃO É O FOCO?

E: Não, de maneira nenhuma, nós queremos fazer o nosso som e levá-lo á todas ás classes sociais.

PA: FALANDO DAS MÚSICAS,TÊM ALGUMA QUE TENHA SURGIDO DE FATO VERÍDICO?

E: Na verdade não verídico. Eu acho que cada música retrata a situação do brasileiro, do baiano, do nordestino, enfim, retratam alguma situação e o público em si, vê a sua própria história em algumas músicas. Mas verídico conosco não.

PA: COMO FOI A FASE DE COMPOSIÇÃO E PRÉ-PRODUÇÃO DO CD? AS MÚSICAS DEMORARAM MUITO PARA "NASCER"?

E: Foi bem natural, a gente não parou assim prá falar: "nós vamos gravar um CD, temos que fazer as músicas...". Foi surgindo mesmo, naturalmente, não teve preparação.


PA: VOCÊ ELABORA AS MÚSICAS?

E: Também. Mas se a música for legal, se tem a ver com a banda, se for "massa",eu acho que tem que usar independente de quem seja o compositor. Isto é até um "puxão de orelha" que estou dando em alguns grupos, que pecam muito nisto. Eu penso no Fantasmão,e penso em trazer coisas boas pra ele,independente de quem seja o compositor.

PA: FOI CRIADO,AQUI NA REGIÃO SUDESTE UM RÓTULO "AXÉ MUSIC" PARA DAR NOME Á TODOS OS RÍTMOS DA BA,APESAR DE SABERMOS QUE EXISTEM DIFERENÇAS.QUE TERMO VOCÊ DARIA PARA DEFINIR O SOM DO FANTASMÃO?

E: Eu sou contra este rótulo, muitos artistas de Salvador falam nisto. Eu sou contra á esta coisa de que tudo que é feito na BA é axé. Não é, tem o nosso pagode da galera do Harmônia, Psirico, Guig Guetto... Mas o Fantasmão é um pouco diferente, nós não temos intenção alguma de negarmos sermos pagode ou axé, até porque a gente veio disso, mas somos diferentes, é o "groove arrastado", nós denominamos assim:groove arrastado é o nosso rítmo, é um novo rítmo, não tem cavaquinho, tem situações de teclado, guitarra, samplers...Fantamão é o groove arrastado.

PA: O FIGURINO DE VOCÊS É BEM IRREVERENTE. COMO É FEITO A MONTAGEM DESTE FIGURINO, QUE TAMBÉM SE TORNOU MARCA REGISTRADA DE VOCÊS?

E: (risos) Eu tive a idéia. Estava a fim de mudar um pouco também, não só no som, na ideologia da banda, mas também no modo de vestir-se. Acho que tinha que ser diferente, estava tudo muito parecido...Então procurei fazer uma coisa nova, e já que o nome é Fantasmão, eu quis colocar uma roupa que também lembre um fantasma, apesar de serem coloridas, a gente também tem a branca que lembra bastante. Mas foi isso, diferenciar mesmo.

PA:FALANDO DO NOME,ENTÃO COMENTA COMO SURGIU O NOME FANTASMÃO:

E: Resumindo assim, Fantasmão é porque quando menos se espera a gente aparece, porquê muita gente desacreditou, achou que não daria certo...pensavam que eu estava louco em colocar este nome...Mas, eu queria colocar um nome que surpreendesse mesmo, que surpreendesse á todas estas pessoas que desacreditaram, algo que chegasse e assombrase (risos). Eu pensei, fui tão criticado, passei por tanta barreira para poder permanecer... O pessoal me dizia que Fantasmão é um nome sinistro, que não tem nada a ver com pagode...Mas, eu queria inovar, queria uma coisa nova,e assim ficou Fantasmão, quando menos se espera a gente aparece.(risos) 

PA: EMBORA SUA EXPERIÊNCIA EM GRUPOS SEJA ANTIGA (VIDE PARANGOLÉ, COCHA BAMBA, PROVOKA SAMBA), O FANTASMÃO É UM GRUPO NOVO. QUAIS SÃO AS MAIORES DIFICULDADES QUE UM GRUPO QUE ESTÁ COMEÇANDO ENFRENTA?

E: A confiança. Quando a gente está começando as pesoas não acreditam, elas querem ver para poder crêr. No inicio você não tem muitas oportunidades. Não tocava nossa música nos programas de rádio, nem nos programas de televisão lá da BA. Por isto que nós "levantamos" a bandeira à galera do gueto,da periferia,e levantaremos até o fim, agradecemos primeiro á Deus e depois á nosso público, que mesmo não tocando nosso som na mídia, eles escutavam nas ruas, nos carros...e é por isto que o Fantasmão está crescendo a cada dia. Hoje, graças a Deus, várias "portas se abriram". Somos gratos a toda a imprensa e a toda a galera que divulga o nosso som, não tem essa de radicalizar demais não.

PA:QUAIS SÃO SUAS INFLUÊNCIAS? O QUE COSTUMA OUVIR QUANDO NÃO ESTÁ COM A BANDA?

E: Olha, eu ouço muito Rap, tenho várias influências do gueto: Racionais, MV Bill, Facção Central...tem um "leque" grande aí de rap que eu curto bastante.


PA: DOS GRUPOS DA BA VOCÊ OUVE ALGUMA COISA?

E: Ouço sim,também, mas não muito pra ser sincero, eu gosto de alguns artistas, mas os meus preferidos são estes aí.

PA: VOCÊ ESTEVE EM SP RECENTEMENTE FAZENDO PARTICIPAÇÃO NO SHOW DOS "BAMBAZ", COMENTA COMO FOI,E COMO ESTÁ SENDO VOLTAR HOJE COM O SEU GRUPO:

E: Eu já fui surpreendido daquela vez, porquê apesar de estar com o grupo ainda novo a galera já sabia cantar as nossas músicas (risos), e olha que a nossa música não é tão comercial. "Eu sou negão eu sou do Gueto "(Eddye canta trechos das músicas que cita) a galera já cantava, já pedia "É massa", "Teve que ser assim". Então eu fiquei pasmo, eu desacreditava mesmo. Mas hoje com a Internet fica mais fácil,né?! Bom, só que nesta época eu vim sózinho, e agora eu estou com parte da banda, viemos em 6, hoje iremos usar até o nosso figurino que adoramos, será muito bacana. (risos)

PA: HOJE, PARA QUEM VOCÊ DIRIA:"PRA QUEM DESACREDITOU EU SÓ LAMENTO"?

E: (risos) Á todos aqueles que não acreditaram no Fantasmão de uma forma geral, áqueles que não botaram fé, aí eu só lamento. (risos)Também aqueles que têm preconceito com a música nordestina, aqueles que tem racismo, que tem preconceito,qualquer tipo de preconceito, daí eu só lamento (risos). Porque o Fantasmão  chegou e vem chegando e irá quebrar todas as barreiras do preconceito.

PA: QUAL O MELHOR MOMENTO DO FANTASMÃO ATÉ HOJE?

E: Acho que é esse momento que estamos tendo, de poder levar o nosso som aos outros Estados e cidades. É o melhor momento sim, com certeza.


BATE-BOLA COM EDDYE:

*SWINGUEIRA?         Groove arrastado

*CARNAVAL?            Bahia

*BAHIA ?                   Minha terra, minha paixão

*ÍDOLO?                    Mano Brown, Racionais

*MÚSICA?                  Eu sou negão eu sou do gueto e você quem é? (risos)

*VOCÊ GOSTA DE?   Ser feliz, de ser livre

*SUCESSO OU           

RECONHECIMENO? Reconhecimento com certeza

*GUETO                       Nossa história

*FANTASMÃO              Minha vida

*EDDYE                       Um cara simples e humilde que vem buscando seu espaço a cada dia

*POLÊMICA                  (risos)As pessoas sempre nos envolvem em alguma polêmica

                                    de repente é porquê somos polêmicos de algum modo.

*SÃO PAULO                Mais uma realização

Ouça Fantasmao:

 

É Massa
Dedinho